Caminhar junto ‘com’ os jovens

Apresentação e reflexão do documento final da XV Assembleia dos Bispos com o tema “Os Jovens, a Fé e o discernimento vocacional”.

Numa iniciativa do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), no dia 23 de fevereiro, no Seminário de Leiria, reuniram-se para participar de um momento reflexivo de acolhimento e aprofundamento do documento final da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos de 2018, mais de 70 agentes da pastoral juvenil nacional, representantes de movimentos e congregações, tendo a diocese de Viseu levado uma delegação de 4 elementos: Lúcia Morgado, Sandra Gomes, Fernando Chapeiro e Diác. João Soabres, elementos da Comissão Diocesana da Juventude que procura refletir acerca do acompanhamento dos jovens.

 

Do programa constavam a apresentação e reflexão por parte do D. Joaquim Mendes, presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família, sobre o documento final da assembleia com o tema “Os Jovens, a Fé e o discernimento vocacional”, seguida de trabalhos de grupo para debate, reflexão e sugestão de propostas para ações concretas a aplicar nas dioceses portuguesas.

Durante o dia D. Joaquim Mendes apresentou as várias partes do documento, destacando que o mesmo se inspira no episódio dos discípulos de Emaús (LC 24, 13-35) e que se divide em três partes. Na primeira parte, sob o mote: «Caminhava com eles», surge o apelo à vida em comunhão e a necessidade de escutar os jovens, vendo-os com empatia. Para acontecer esta escuta é fundamental olhar para a realidade de hoje e “reconhecer” os problemas/ desafios pastorais. Na segunda parte do documento é-se orientado pela expressão: «Os seus olhos abriram-se», estando implícita a “interpelação” para se deixar guiar pelo Espírito. Finalmente, na terceira parte o objeto de meditação é a expressão: «Partiram imediatamente», a qual envia a Igreja a fazer um caminho de partilha e de sinodalidade missionária, onde se devem realçar as “escolhas”.

  1. Joaquim Mendes referiu-se à sinodalidade, ao caminhar juntos, ao ambiente digital, aos migrantes, à sexualidade, ao papel da mulher na Igreja sinodal, à formação dos agentes da pastoral juvenil, à casa comum, como alguns dos muitos desafios que hoje são colocados à Igreja, e a todos os seus agentes, para se viver com os jovens. Realçou, ainda, a necessidade de haver na Igreja um espaço para escutar e acompanhar os jovens, e nesse lugar haver acompanhadores com um perfil muito próprio e que saibam acolher/ acompanhar todos os que desejem ser escutados.

Dos grupos de reflexão surgiram ideias concretas para dar vida ao que foi proposto pelo documento final dos bispos e que podem ser aplicadas na pastoral juvenil portuguesa. Ficou claro que na Igreja nacional, tal como na Igreja espalhada pelo mundo, não existe uma juventude, mas juventudes, pois as realidades variam de comunidade para comunidade.

Como síntese e conclusão dos trabalhos o padre Eduardo Duque referiu que a «escuta», o «compromisso», o «testemunho» e o «serviço» são as palavras-chave a aplicar à pastoral juvenil, e surgem como proposta de caminho a fazer com os jovens na Igreja. Realçou que só «escutando» mais, fomentando um «compromisso» vivido em comunidade e com partilha da vida, «testemunhando» a experiência cristã e colocando-se ao «serviço» numa transformação social, se chegará ao coração dos jovens do século XXI.

O futuro da juventude, e da sua participação enquanto cristãos, é um desafio em que toda a Igreja se deve implicar e que tem de começar agora. Urge fazer um percurso que, embora exigente, seja portador de mudança de mentalidades e metodologias, e conduza a uma conversão à sinodalidade. É preciso caminhar junto ‘com’ os jovens.

Lúcia Morgado

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